“Lisboa reconstrói-se a partir do Rés do Chão”

Estúdio Roulette, 2014

O que é o Rés do Chão?

O Rés do Chão é um projecto de reabilitação e regeneração urbana. Tem como principal objectivo a revitalização e dinamização das cidades, através da reocupação e reabilitação de pisos térreos desocupados.

É um projecto premiado pela Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito da iniciativa FAZ – Ideias de Origem Portuguesa , na edição de 2013, realizada em parceria com a Cotec Portugal e com o Instituto de Empreendedorismo Social e apoiado pelo programa BIP-ZIP da Câmara Municipal de Lisboa.

Que problema identifica?

O Rés do Chão identifica um problema persistente nos contextos urbanos portugueses – a desocupação dos pisos térreos comerciais. Esta situação tem conduzido à degradação do património edificado e do espaço público assim como à desertificação das ruas e à perda das dinâmicas de bairro.

Qual a missão?

O Rés do Chão procura soluções que contribuam para o aumento do número de pisos térreos ocupados e revitalizados. Através destas soluções o Rés do Chão pretende contribuir para a requalificação do património edificado e do espaço público; para a diversidade funcional das ruas; para o desenvolvimento da economia local; para a ocupação e concentração dos centros urbanos e, consequentemente, para a construção das relações de vizinhança e proximidade dos bairros.

Qual a estratégia?

O Rés do Chão pretende criar uma rede de proprietários de pisos térreos desocupados, potenciais arrendatários e associações locais, entre outros, cruzando os recursos físicos negligenciados com os recursos e potencialidades humanas, contribuindo desta forma

para o desenvolvimento da economia local e ocupação dos centros urbanos.

O Rés do Chão pretende também criar alternativas sustentáveis para a reabilitação dos pisos térreos degradados.

Pretende ainda promover a ocupação dos mesmos através de modelos de arrendamento partilhados e sistemas de ocupação temporária, com o objectivo de promover a sustentabilidade do uso dos espaços.

Onde está a ser implementado?

O Rés do Chão está a ser implementado na Freguesia da Misericórdia, em Lisboa, zona que agrega um conjunto de ruas particularmente afectadas pelo encerramento do comércio de rua e consequente esvaziamento dos pisos térreos, estando já em funcionamento na Rua do Poço dos Negros, Rua Poiais de São Bento e Rua de São Bento, assim como na Rua da Boavista e Rua de São Paulo.

Esta zona apresenta uma enorme potencialidade pelo seu anterior carácter industrial e comercial; pela sua centralidade; pela qualidade patrimonial do edificado e pelas várias associações e organizações culturais que nela residem. A existência de vários serviços e acessibilidades, reforçam a atractividade do bairro.

Como posso integrar a Rede Rés do Chão?

Se quiser integrar a Rede Rés do Chão terá de se inscrever na Associação Rés do Chão 119, mediante o pagamento de uma cota mensal. Sendo membro associado, irá beneficiar do acesso aos serviços desenvolvidos pelo Rés do Chão assim como à sua rede de pisos térreos. Irá ainda beneficiar de descontos nos eventos e actividades organizadas pelo Rés do Chão.

Que serviços presta o Rés do Chão?

O Rés do Chão presta 3 serviços independentes:

1. FACILITAÇÃO entre proprietários de pisos térreos desocupados e arrendatários interessados em arrendar ou comprar estes espaços, tendo em conta as necessidades de ambas as partes.

2. REABILITAÇÃO de pisos térreos desocupados, caso os proprietários ou arrendatários tenham interesse em recuperar os espaços.

3. GESTÃO e DINAMIZAÇÃO de pisos térreos, através da promoção de  modelos de arrendamento partilhados e sistemas de ocupação temporária, com o objectivo de promover a sustentabilidade e rentabilização do uso destes espaços, acolhendo e organizando diversos eventos e actividades. O Rés do Chão faz também a divulgação das actividades dos arrendatários residentes destes espaços, criando uma rede de cooperação e partilha entre profissionais.

Mais informações em SERVIÇOS

A quem se dirige?

1. Proprietários de pisos térreos desocupados

2. Potenciais arrendatários de pisos térreos comerciais

3. Toda a comunidade local

4. Instituições públicas, investidores, entre outras entidades, interessadas em ter parceiros activos no desenvolvimento local da cidade.

 

Sou proprietário, quais os benefícios em integrar o Rés do Chão?

1. Acesso a uma rede de potenciais arrendatários interessados nos seus imóveis.

(Ainda que tenha como objectivo final a venda do mesmo, tendo o seu imóvel arrendado, para além de beneficiar da respectiva renda, beneficia ainda da sua divulgação e valorização. Um imóvel ocupado tem menos risco de degradação)

2. Acesso a uma equipa técnica de arquitectura, caso o seu imóvel tenha necessidade de obras.

Se é proprietário e está interessado em integrar o projecto Rés do Chão preencha o formulário “Sou proprietário”. 

Quero ser arrendatário, quais os benefícios em integrar o Rés do Chão?

1. Acesso a uma rede de pisos térreos desocupados e correspondente intermediação com os proprietários dos mesmos.

2. Acesso a uma rede de arrendatários também interessados em ocupar pisos térreos, e cujos ofícios e actividades possam estar relacionadas com as suas, criando uma rede de possível cooperação e partilha.

3. Acesso a espaços de coworking, com possibilidade de arrendamento temporário, de forma a testar o seu negócio ou projecto, reduzindo o risco do investimento.

Se quer ser arrendatário de um piso térreo e está interessado em integrar o projecto Rés do Chão preencha o formulário “Quero ser arrendatário”.

O que é o Rés do Chão 119?

O Rés do Chão 119 é uma antiga mercearia, localizada no número 119 da Rua do Poço dos Negros em Lisboa, reabilitada e ocupada pela equipa do Rés do Chão. Este espaço insere-se no âmbito do projecto piloto do concurso FAZ Ideias de Origem Portuguesa, e nele estão a ser testados alguns dos princípios de sustentabilidade na reabilitação e ocupação dos pisos térreos. Encontrando-se em funcionamento desde Junho de 2014, para além de albergar a sede do projecto Rés do Chão, o Rés do Chão 119 é um espaço de trabalho, oficina e loja partilhado, onde são organizados diversos eventos e actividades.

Conheça o espaço, os actuais residentes e alguns dos eventos do Rés do Chão 119

Posso ocupar o Rés do Chão 119 ? Quais os custos?

Caso queira ocupar o Rés do Chão 119 terá de preencher o formulário “Quero ser arrendatário”

Para mais informações contacte o Rés do Chão através do endereço – ocupar.resdochao@gmail.com

Existem propostas semelhantes ao Rés do Chão noutras cidades?

Existem vários projectos desenvolvidos em cidades como Nova Iorque, Londres e Milão entre outras, que têm criando soluções eficazes para o problema da desocupação dos pisos térreos urbanos.

Conheça estes projectos internacionais:

MILES

3 SPACE

Meanwhile

ATCM

Temporiuso

Qual deve ser o papel dos pisos térreos na cidade?

“Quando os pisos térreos da cidade estão abertos ao público, a vida da cidade é reforçada. As actividades enriquecem-se umas às outras, a riqueza das experiências aumenta, passear torna-se mais seguro e as distâncias parecem menores.(…)”

Jan Gehl, Cidades Para Pessoas, 2013

Os pisos térreos são espaços fundamentais de transição com a rua, tendo por isso grande capacidade de dinamizar e promover o seu uso.  As actividades neles desenvolvidas têm um papel social fundamental, contribuindo para a construção da imagem e identidade da cidade. Tenham ou não um benefício comercial directo, as actividades desenvolvidas nos pisos térreos estabelecem uma interacção valiosa com o espaço público, criando relações directas com os transeuntes.

Qual o contributo da reabilitação de pisos térreos na revitalização da cidade?

“Os ciclos económicos, políticos, sociais que afectam os artefactos urbanos são cada vez mais curtos, abreviando a sua obsolescência. O projecto de arquitectura, tal como o projecto urbano deve, pois, ser capaz de reagir positivamente às mudanças de uso e significado que irão ocorrer durante o ciclo da sua existência, agora em ritmo cada vez mais acelerado.”

Manuel Tainha, Textos de Arquitectura, 2006

A vitalidade das cidades depende da capacidade de renovação dos seus usos e modos de ocupação. No caso da reabilitação e reocupação dos pisos térreos, esta questão coloca-se não só pela relação privilegiada que estes espaços mantêm com o espaço público, promovendo o seu uso, mas também pelo incentivo à ocupação e reabilitação dos pisos superiores e de outros edifícios no mesmo bairro.

Porquê ocupar um piso térreo?

A contemplação da acção é um incentivo para a acção. Quando é possível ver o interior dos espaços térreos, o mundo das pessoas amplia-se e enriquece-se, há mais entendimento. Nasce a possibilidade de comunicação e aprendizagem.

Christopher Alexander, A Pattern Language, 1977

Os pisos térreos têm uma relação privilegiada com a rua e com os transeuntes e uma particular facilidade de acessibilidade, possibilitando uma maior visibilidade dos projectos e actividades neles desenvolvidos. A montra, elemento típico de um piso térreo comercial urbano, é um espaço privilegiado de divulgação da sua actividade, ofício, serviço ou negócio. A proximidade com a vizinhança permite uma relação mais directa com as diferentes actividades envolventes. Sendo os pisos térreos parte da extensão da urbanidade da rua, o desenvolvimento da sua actividade num piso térreo contribuirá para a requalificação e dinamização do espaço público, contrariando a tendência de desertificação dos bairros.

Porquê criar uma rede que coloque todos os interessados em contacto?

“É necessário haver olhos virados para a rua, os olhos daqueles a que podemos chamar os proprietários naturais da rua. Os edifícios numa rua, equipados para lidar com estranhos e garantir a segurança tanto destes como dos residentes, devem estar voltados para a rua.”  

Jane Jacobs, The death and life of great American Cities, 1961

Criar uma rede de contactos entre todas as partes interessadas, como proprietários, arrendatários, associações locais entre outros é essencial para o crescimento da economia local e consolidação das dinâmicas dos bairros. Através da cooperação, da troca de informações e partilha de competências, a visibilidade das actividades e o número de visitantes e usuários dos bairros será maior. O Rés do Chão procura promover uma cidade em rede, mais segura, viva e dinâmica.